Mega Polo Moda adota live commerce para acelerar vendas e atrair mais público
Modelo adotado pelo shopping atacadista do Brás ajuda a conectar pequenos lojistas com audiências que antes só existiam no ambiente digital, diz Antônio Almeida (foto), diretor de marketing do empreendimento. Iniciativa ampliou fluxo de visitantes para 1,2 milhão de pessoas por mês O Brás agora vende ao vivo: considerado um dos maiores polos comerciais de moda do país, o bairro vive uma nova fase impulsionada pela digitalização das vendas, e o shopping Mega Polo Moda está no centro dessa transformação. Com a implantação do "Live Center Mega Polo", centro de transmissões integrado ao shopping para vendas B2B de lojistas e atacadistas clientes, e também para B2C com o TikTok Shop, o empreendimento quer deixar de ser apenas destino de compras para virar plataforma de negócios e geração de renda para pequenos e médios empreendedores. A iniciativa responde a uma mudança estrutural do varejo. Um relatório da ResearchAndMarkets.com estima que o mercado de social commerce no Brasil movimentou US$ 4,16 bilhões em 2025, com projeção de chegar a US$ 6,92 bilhões em 2030. Nessa toada, enquanto o e-commerce tradicional tem taxas de conversão médias de 1% a 2%, o live commerce pode chegar a taxas de 10% a 30% ao unir entretenimento, demonstração de produtos e compra instantânea, segundo a McKinsey & Company. “Hoje, em uma live de duas horas, passam até 10 mil pessoas pela loja virtual de um lojista. Quando isso aconteceria no ponto físico?”, questiona Antônio Almeida, diretor de marketing do Mega Polo. Ele conta que o projeto, coordenado pela Vitrines do Brasil, além de reforçar o novo posicionamento do shopping como polo de referência e conexões, começou de uma demanda dos próprios lojistas e rapidamente ganhou escala. Com isso, o empreendimento tem se consolidado como o primeiro shopping de moda atacadista do Brasil com uma plataforma integrada com estrutura técnica, produção de moda, plataforma B2B, conteúdo, centro de afiliados e expertise operacional. Atualmente, o Live Center realiza mais de 60 transmissões semanais, especialmente pelo TikTok Shop, integrando atacado, varejo e o chamado "atacarejo", já que a ideia inicial foi a de criar convivência entre modelos de venda. "O live commerce ajuda a ampliar conversão e gera caixa rápido, algo essencial para a saúde financeira do lojista”, afirma. Para o pequeno comerciante, inclusive aquele que não possui loja física no Brás, o modelo reduz barreiras de entrada com investimento acessível, que varia de R$ 750 (para lojistas do Mega Polo) a R$ 1,5 mil (para lives B2B e lojistas externos). “A gente tem informação dos lojistas de que eles pagam as despesas de duas semanas com o que vendem em um fim de semana de live. É dinheiro rápido, direto na veia do negócio”, destaca o executivo do Mega Polo. No Live Center do Mega Polo é possível realizar as transmissões B2B (lives fechadas) e B2C (como TikTok Shop) em estúdios equipados com câmeras profissionais, iluminação, áudio e celulares dedicados. Também há uma equipe de apresentadores, diretores e técnicos, produção com styling, passadoria, maquiagem, modelos e roteirização e conteúdo pós-live com edição, convites personalizados e divulgação para a base de compradores. A grande vantagem, segundo Almeida, é a otimização do processo de vendas e rentabilidade. O lojista pode enviar o produto para o Live Center e a equipe do Mega Polo, incluindo afiliados próprios, executa a live e faz a gestão dos produtos. Essa nova dinâmica também beneficia empreendedores que querem gerar renda sem loja física. O afiliado que vai ao shopping não precisa enviar peças antecipadamente, mas pode passar o dia e vender em mais de 200 lojas diferentes. A iniciativa é uma forma de acelerar a digitalização da cadeia de moda e fortalece o modelo de compra digital dentro do polo atacadista, sendo o primeiro com amostras físicas disponíveis, além de treinamento com equipe do Mega Polo. Almeida explica que, além de ser um projeto pioneiro no segmento por fomentar a cultura digital entre os pequenos lojistas, o objetivo é proporcionar estratégias diferenciadas de vendas. O novo modelo também procura garantir que os lojistas não dependam mais só do cliente que está presente. "O cliente vem porque o espaço acabou virando showroom, às vezes quer conhecer algo novo... Mas o importante é lembrar que na live de duas horas podem passar 10 mil pessoas pela loja dele." Levantamento do Mega Polo aponta que, além das mais de 60 lives semanais no TikTok Shop, o Live Center tem realizado, em média, 16 lives B2B por semana, conta com mais de 4 mil horas transmitidas em apenas três meses de funcionamento e tem pelo menos 50 marcas ativas registrando vendas superiores a R$ 100 mil no TikTok Shop. Com um empurrão do Busca Busca O impacto das lives já é visível no fluxo do empreendimento. Tanto o Mega Polo quanto o vizinho Plaza Polo, do mesmo grupo e que sediam o fenômeno Busca Busca, somam hoje cerca de 1,2 milhão de visitantes/mês, com vacância praticamente zerada — um indicador raro no setor. Há um ano, o movimento era 20% disso (cerca de 240 mil pessoas), diz Antônio Almeida. Puxada pelo apelo da importadora de Alex Ye e pela chegada de varejistas como a Shopee, que implantou um ponto de coleta e retirada na região, essa nova dinâmica do Brás, revelada pelo Diário do Comércio, alterou horários de funcionamento, com a maior mudança percebida na operação dos fins de semana no final de 2024. Historicamente, a dinâmica local era 'sexta-feira, às 5 horas, acabava', de acordo com o executivo. Com a atração de outro tipo de público além dos tradicionais lojistas e sacoleiros, a abertura das lojas se estendeu para os finais de semana. "A vida do lojista mudou, pelo menos metade das lojas do shopping abre aos domingos. O movimento vai até 16h e, embora o sábado continue sendo mais forte, o domingo também se tornou significativo para o comércio do Brás." A mudança também puxou a diversificação do mix: o shopping percebeu a oportunidade de ocupar lojas vagas com novas linhas de produtos, e o Live Center só ajudou a impulsionar ainda mais a estratégia com a audiência das lives. Além das atacadistas de moda, mix principal desde o início, o shopping ampliou a oferta com moda masculina, cama, mesa e banho, decoração, perfumaria, eletroeletrônicos, games, ferramentas e até motocicletas elétricas. Também entraram no mix serviços de viagens e logística e opções de alimentação com a chegada de marcas como Brasil Cacau e Oakberry Açaí, que se somam a franquias que já marcam presença lá, como Boali e Giraffas. Está prevista até a inauguração de um restaurante japonês, conta Almeida. Em suma, se antes o Mega Polo destacava predominantemente o atacado de moda, agora ele tem se tornado um shopping onde é possível encontrar "tudo o que tem no Brás", diz. “A pessoa vem para comprar moda e encontra um mix completo: ar-condicionado, segurança, alimentação e uma variedade de produtos que antes estavam só na rua. Isso muda o comportamento do consumidor e o tempo de permanência no shopping”, afirma. Com crescimento previsto de 15% no final de 2025, para os próximos anos a expectativa do centro de compras é de continuidade do crescimento de dois dígitos, impulsionado tanto pelo calendário favorável de vendas quanto pela consolidação do Mega Polo como um hub híbrido de moda, tecnologia, conteúdo e comércio. “Nosso papel é liderar essa transformação e garantir que o lojista, pequeno ou grande, tenha ferramentas para vender mais e melhor”, sinaliza. Mega Polo Moda adota live commerce para acelerar vendas e atrair mais público
19/Jan/2026



